sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ida

Dirigido por: Pawel Pawlikowski
Roteiro de: Pawel Pawlikowski e Rebecca Lenkiewicz





                                        "_E o que acontece depois?
                                          _Os problemas de sempre.A vida." 

 
  Representante da Polônia na categoria de melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015,Ida se inicia com um dialogo entre a madre-superiora do convento e a protagonista - que até então conhecemos como Anna. É determinado pela religiosa que a jovem noviça visite sua única parente viva,uma tia -cuja existência a garota desconhecia - antes da cerimonia em que faria os votos de celibato e pobreza que a tornariam freira.
  Ao encontrar a tia - juizá Wanda - lhe é revelado informações importantes sobre si mesma: é judia,seu nome verdadeiro é Ida Lebentein e seus pais morreram durante a Segunda Guerra.
  As duas mulheres partem em uma viajem até a Vila onde onde os pais de Ida desapareceram,em busca de repostas sobre como morreram e onde estão enterrados.Essa busca é apenas a superficial ,no íntimo as duas personagens buscam coisas distintas: Wanda procura enfrentar o passado e Ida encontrar sua própria identidade da qual fora esvaziada no convento.
  Agata Trzebuchowska,dona de grandes olhos escuros,concede a ida uma aura de ingenuidade e fascinação pelo desconhecido.Ao mesmo tempo em que Agata Kuleza interpreta a juizá Wanda como uma mulher deprimida e atormentada pelo passado que usa a bebida,o cigarro e até mesmo o sexo para tentar esquece-lo,e usa a aparição da sobrinha como desculpa para finalmente enfrenta-lo.
 Completando o elenco temos Dawid Ogrodnik que interpreta Lis,o jovem saxofonista que pega carona com a dupla principal,é o único personagem do filme que não é deprimido,atormentado por acontecimentos passados e incapaz de seguir em frente,pelo contrário,demonstra otimismo e expectativas com o futuro.



  O filme se passa 1962,uma época em que a Polônia ainda possuía imensa cicatrizes do passado recente,o Holocausto,e do antissemitismo ainda muito forte.e é interessante notar como os elementos visuais do filme representam essa época sombria.
 A câmera do diretor Pawel Pawlikowski é quase sempre estética e seus enquadramentos são longos e bem-pensados.
 Fotografado maravilhosamente por Ryszard Lenczewski e Lukaz Zal que escolheram o preto-e-branco e uma razão de aspecto reduzida em 1.37:1 - o formato de tela quadrado,os filmes atuais são filmados com a razão de aspecto 1.85:1 ou 2.35:1,o formato de tela retangular.Esses elementos são usados para ressaltar a atmosfera opressiva do país gravemente ferido pela Guerra.
 E o modo como os personagens são fotografados na parte inferior do quadro,pequenos e incompletos,demostra sua insignificância diante do peso histórico que carregam.
 O final emblemático faz parecer que para Ida tudo volta a ser exatamente como antes do começo da jornada.mas pequenas cenas sutis - como o riso que escapa durante um jantar e o olhar perdido durante uma oração - mostram o impacto da jornada na garota,que sempre estará lá,apesar do plano que encerra o longa ilustrar como deixou sua história e a do país para trás.

Indicado ao Oscar em duas categorias: Melhor Filme Estrangeiro e Fotografia.

  

 


Um comentário:

  1. Este é um filme que nos deixa com os olhos presos na tela , ate o final, e com um monte de perguntas. Você conseguiu aqui , com sensibilidade, num ensaio quase profissional responder algumas destas perguntas. Continue nos mostrando seus ensaios Carol Cotrim.

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