Escrito e dirigido por:Richard Linklater
"Sabe quando dizem aproveite o momento?Não sei,mas acho que é o contrário.Como se o momento nos aproveitasse"
Eu sou uma grande fã de Richard Linklater,particularmente de sua trilogia "Antes" composta pelos filmes: Antes do Amanhecer,Antes do por do sol e Antes da Meia Noite (estrelados por Julie Delpy e Ethan Hawke) onde ele já mostrava sua sensibilidade para transformar as coisas mais simples e mundanas em pequenas obras-primas com estudos de personagens profundos.
Mas a minha admiração pelo cineasta se deve,principalmente,pela paixão e dedicação com que realiza seus projetos.E é isso que faz de Boyhood um filme tão especial. Filmado ao longo de 12 anos,acompanhando o crescimento e envelhecimento dos atores e do próprio diretor que se reuniam durante algumas semanas todo ano para se dedicarem a esse lindo projeto.
O mais encantador em Boyhood é a sua simplicidade.Acompanhamos a vida de Mason Jr. dos 6 aos 18 anos,como uma criança comum lidando com situações mundanas,captadas por Linklater de maneira realista e ao mesmo tempo poética.
A identificação com os personagens e as situações apresentadas é imediata.A trilha sonora e as referências a cultura pop acompanham os anos e a todo tempo nos pegamos pensando "Eu escutava essa música naquele ano" ou "Eu também estava no lançamento desse livro" o que nos aproxima ainda mais dos personagens,inclusive trazendo um sentimento de nostalgia a quem viveu a infância na mesma década que Manson.
É muito fascinante observar o crescimento de Mason (e seu intérprete Ellar Coltrane) e sua irmã Samantha (interpretada por Lorelei Linklater,filha do diretor),mas o roteiro não deixa de lado aqueles que o cercam. Acompanhamos o drama da mãe do garoto - interpretada maravilhosamente bem por Patricia Arquette - que apesar de toda a sua dedicação aos filhos parece sempre fazer escolhas erradas quando se trata da sua vida amorosa.E o amadurecimento tardio do pai garoto(que é o meu personagem favorito do filme,interpretado por Ethan Hawke,com todo seu carisma).
O filme entende que o que nós somos é formado por um conjunto de momentos,pelo lugar onde nascemos e até mesmo pelas posições ideológicas daqueles com quem vivemos,especialmente nossos pais.
Linklater também não priva seu protagonista de perdas.Pessoas entram e saem de nossas vidas,muitas vezes sem cerimônia e com poucas chances de reencontro,mas isso faz parte da experiência de viver.
A montagem de Sandra Adair é muito eficiente ao fazer com que todos esse momentos façam sentido,sem que o filme fique confuso ou evasivo.E imagino que escolher o que entraria no filme e o que ficaria de fora em um material de 12 anos de filmagem não tenha sido uma tarefa muito fácil.
É quase impossível chegar ao fim de Boyhood sem ficar feliz por Manson que apesar de todos os pequenos traumas,sobreviveu (ao menos até ali) a essa desventura constante que é a vida.Assim como todos nós.
Indicado ao Oscar em seis categorias: Melhor Filme,Melhor Diretor(Richard Linklater),Melhor Ator Coadjuvante(Ethan Hawke),Melhor Atriz Coadjuvante(Patricia Arquette),Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem


parabéns Carol, isso é só o começo de um longo e belo caminho!
ResponderExcluirCaramba. Quero muito ver esse filme. Principalmente por conta de sua simplicidade. Ultimamente tenho me interessado tanto pelo cotidiano! Um filme assim é... simplesmente tudo pra eu me emocionar.
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