quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Whiplash _ Em Busca da Perfeição

                  

Dirigido e Roteirizado por:Damien Chazelee


             "Não há duas palavras mais danosas do que 'Bom Trabalho' "

 

  Ao assistir Whiplash - em busca da perfeição,foi inevitável lembrar de Cisne Negro - clássico moderno de Darren Aronofsky. Apesar de serem filmes muito diferentes em estética e tom,são muito parecidos em sua temática.A Nina interpretada por Natalie Portman em Cisne Negro e o Andrew interpretado por Miles Teller nesse Whiplash possuem a mesma obsessão:encontrar a perfeição através da arte.Mesmo que isso custe sua saúde física e mental.
  O longa acompanha a história de Andrew Newman um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração.Seu sonho parece mais próximo quando o lendário maestro Terence Fletcher (JK Simmons) o convida a tocar em sua banda de jazz,considerada o berço de grandes talentos bem-sucedidos.Mas a postura rígida e militarista do mestre faz com que o garoto se dedique ao instrumento de uma forma obsessiva e auto-destrutiva.
  Esse é o principal tema do filme: a linha tênue que separa ambição e obsessão;incentivo e abuso.




  Escrito e dirigido pelo jovem cineasta Damien Chazelle (de apenas 29 anos,esse é seu segundo longa como diretor), que conduz o filme com o talento e a segurança de um diretor veterano com anos de carreira. Chazelle faz decisões acertadíssimas ao fugir do obvio em várias ocasiões,como ao evitar muitos diálogos expositivos e conduzir o filme através das imagens,com sua câmera frenética faz constante uso de closes na expressão dos atores quando estão tocando ou conduzindo a orquestra.Usa o suor e o sangue como símbolos visuais do esforço máximo de Andrew,e principalmente nunca deixa a música em segundo plano,ela é uma presença tão constante no filme quanto na vida dos personagens.
  Um dos pontos mais positivos do filme é o elenco.
  Miles Teller faz de seu Andrew nossa figura de identificação máxima,acreditamos em sua paixão e torcemos por ele.Ao mesmo tempo não deixa que seu personagem se transforme no clássico herói trágico adicionado toques excessivos de ambição e arrogância,e claro,sua obsessão que prejudica não só a si próprio,mas também as pessoas com quem convive.Sua relação com a garota Nicole - interpretada pela linda Melissa Benoist - é deveras destruidora.
 O veterano JK Simmons explora ao máximo um personagem feito sob encomenda para sua persona dominadora,fazendo de Fletcher um homem assustador,exigente e quase militarista (em vários momentos me lembrou o sargento Hartman -vivido por R. Lee Ermey no clássico Nascido para Matar), e competente de forma quase sobrenatural. Mas humaniza seu personagem com momentos de sensibilidade - como quando chora ao lembrar de um ex-aluno - e até de gentileza - ao falar com a filha pequena de um amigo. Simmons é competente na difícil tarefa de fazer com que o público entenda sua motivação e seu amor pela música, o que nos leva a simpatizar com ele mesmo questionando seus métodos o tempo todo.
  Outro fator que deve ser citado é a montagem brilhante de Tom Cross.Os cortes tem o mesmo ritmo da música o que dá ao filme um ritmo vibrante.Me pareceu um pouco excessiva no começo (lembrando outro filme de Aronofsky - Réquiem para um Sonho) mas chega ao ápice na genial cena final.
   Alias, a cena final - que dura mais ou menos 10 minutos e praticamente nenhuma palavra é dita - o talento combinado de Damien Chazelle e Tom Cross faz com que seja a melhor e mais impactante de todo o longa.O diretor filma a orquestra de forma bastante atipica e Cross a monta com seus cortes acompanhado o ritmo vibrante do jazz.Também é o momento em que Andrew e Fletcher finalmente entram em sintonia se tornado um só,unidos pela música.
  Whiplash poderia ser mais um filme clichê,com herói e vilão convencionais,com a queda e ascensão do protagonista e todos os elementos já conhecidos.Mas graças ao talento dos envolvidos se tronou uma preciosidade.
  É um filme poderoso,angustiante em alguns momentos e muito significativo.Uma obra que,com certeza,merece os aplausos de reconhecimento que seu protagonista tanto cobiça.

Indicado ao Oscar em cinco categorias: Melhor Filme,Roteiro Adaptado,Montagem,Mixagem de Som e Ator Coadjuvante(JK Simmons).



 


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