Dirigido por: James Marsh
Escrito por:Anthony McCarten
"Onde há vida,há esperança"
Muitas pessoas conhecem a figura de Stephen Hawking. O sujeito na cadeira de rodas elétrica,que move apenas as sobrancelhas e fala através daquela voz robótica.Mas poucas pessoas (fora da área cientifica) conhecem o seu trabalho e sua importância como físico.Menos pessoas ainda conhecem sua vida pessoal - que ele próprio narrou no livro Minha breve história.
Com apenas 21 anos foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica e os médicos lhe deram uma expectativa de vida de apenas 2 anos - hoje ele já está com 70,o que significa que viveu quase 50 anos a mais que o previsto,até agora.A doença que paralisou seu corpo em nada afetou sua mente e mesmo durante seu definhamento físico cada vez maior ele foi capaz de desenvolver sua teoria sobre buracos negros e a origem do universo e publicar o livro Uma Breve História do Tempo.
É realmente impressionante notar como mesmo com uma doença tão terrível Hawking ainda foi capaz de viver uma vida feliz e normal.Depois do diagnostico se casou com Jane Hawking com quem teve três filhos.A doença nem mesmo impediu que tivesse um caso com a enfermeira que cuidou dele por um tempo. Sempre que cede palestras e entrevistas ele mantém o bom humor e a sinceridade - que as vezes causa polêmicas como quando fala sobre religião e sua descrença em Deus ou sua opinião contraria à exploração espacial.
Dito isso,é triste que A Teoria de Tudo,apesar de merecer créditos por não transformar sua história em um melodrama barato ( o que seria fácil ),não esteja à altura do homem que o inspirou.
Quem conhece o trabalho do diretor James Marsh - especialmente os documentários O Equilibrista(2008) e Projeto Nim(2011) - provavelmente sabia que sua biografia de Stephen Hawking deixaria um pouco de lado seus grandes feitos e seria focada no lado mais humano do físico e em suas relações pessoais,especialmente com sua esposa Jane. O que é uma abordagem muito positiva.
O problema é que o roteiro não se dá ao luxo de uma construção paciente.Já na primeira cena o protagonista conhece Jane e se apaixona,sendo imediatamente correspondido. Começa a mostrar os sintomas da esclerose,é diagnosticado,passa por uma pequena crise existencial superando-a em seguida,tudo isso no primeiro ato.O longa parece estar com pressa para chegar a parte realmente dramática e salta sobre a introdução numa velocidade que compromete o desenvolvimento dos personagens e nosso envolvimento com eles.
E enquanto o roteiro de Anthony McCarten tenta ao máximo evitar o melodrama e o exagero,a direção de James Marsh faz exatamente o contrário.Ele abre o filme com Hawking disparando em sua bicicleta o que parece quase gritar como aquele jovem é cheio de vida o que faz com que doença que o acometerá depois seja ainda mais trágica. Na cena do diagnostico Marsh enfoca o médico de uma forma que o faz parecer uma figura de pesadelo, uma decisão estética estranha e exagerada.
Por outro lado,a fotografia de Benoit Delhomme é linda remetendo a filmes caseiros,com suas cores quentes e nostálgicas - apesar de também se render aos exageros em alguns momentos.A trilha sonora de Alexandre Desplat - sempre genial - merece aplausos,assim como o trabalho do figurista Steven Noble,que é uma parte importantíssima da composição do personagem de Hawking vestindo Eddie Remayne com roupas de números maiores que parecem encolhê - lo ainda mais.
Mas o maior mérito do filme encontra-se nas atuações - que também são o principal motivo de toda a atenção que recebeu nas premiações.
Por outro lado,a fotografia de Benoit Delhomme é linda remetendo a filmes caseiros,com suas cores quentes e nostálgicas - apesar de também se render aos exageros em alguns momentos.A trilha sonora de Alexandre Desplat - sempre genial - merece aplausos,assim como o trabalho do figurista Steven Noble,que é uma parte importantíssima da composição do personagem de Hawking vestindo Eddie Remayne com roupas de números maiores que parecem encolhê - lo ainda mais.
Mas o maior mérito do filme encontra-se nas atuações - que também são o principal motivo de toda a atenção que recebeu nas premiações.
Eddie Redmayne - que já havia me impressionado como Marcus em Os Miseráveis - interpreta Stephen Hawking de maneira perfeita ( além de se parecer muito com ele ).Começa como um jovem brilhante e expressivo que demostra confiança e charme ao lidar com Jane. Retrata as deformidades físicas sofridas por Hawking no decorrer do filme com realismo e atenção pelos detalhes.Desde as mãos tortas,os pés arrastando - se pelo chão,os ombros caídos e a dicção tudo é bem retratado mostrando que o ator estudou bem de perto os efeitos da doença.E nas fases mais avançadas quando Hakwing mal podia mover os músculos do rosto,ele consegue se expressar com o minimo de recursos,como um levantar de sobrancelha,uma piscada ou simplesmente pelo seu olhar vivo e alegre.
Felicity Jones,como Jane, é a imagem do otimismo e da dedicação.No começo,uma jovem alegre e cheia de vida que ao longo do filme vai ganhando as olheiras e a postura cansada que o sacrifico de cuidar sozinha do marido e dos três filhos trazem.Ao mesmo tempo em que demonstra força e competência nunca se tornando vítima da situação que está vivendo.
Felicity Jones,como Jane, é a imagem do otimismo e da dedicação.No começo,uma jovem alegre e cheia de vida que ao longo do filme vai ganhando as olheiras e a postura cansada que o sacrifico de cuidar sozinha do marido e dos três filhos trazem.Ao mesmo tempo em que demonstra força e competência nunca se tornando vítima da situação que está vivendo.
Um elemento bastante positivo é o modo como o roteiro trata a relação entre Jane,Stephen e Jonathan (interpretado por Charlie Cox),fugindo do obvio que seria criar um provável triângulo amoroso já que os três personagens parecem estar cientes da situação na qual se encontram e das carências e limites uns dos outros.
Porém,o filme foge de qualquer polêmica,suavizando o ateísmo de Hawking,e sempre retratando - o como um homem otimista e gentil, seus momentos de frustração duram apenas segundos e ele nunca os desconta em quem quer que seja - o que é admirável mas inverossímil. E o roteiro tropeça de vez no último ato ao incluir uma sequência de fantasia completamente desnecessária que,como se não bastasse,termina em um monólogo que poderia ter sido extraído dos mais baratos livros de auto - ajuda.
Com isso,A Teoria de Tudo se estabelece como um dos projetos menos inspirados de James Marsh. Uma cinebiografia tímida de uma figura que merecia bem mais e que se sustenta apenas em suas grandes atuações.
Indicado ao Oscar em cinco categorias:Melhor filme,Roteiro Adaptado,Ator (Eddie Redmayne),Atriz (Felicity Jones) e Trilha sonora (Alexandre Desplat).

Nenhum comentário:
Postar um comentário